quinta-feira, 30 de junho de 2011

Batimentos cardíacos



Lucas, a representação viva de um amor eterno.
, o livro dos ensinamentos.
Alex Souza, palpitações cardíacas aceleradas e sorrisos do tamanho do céu.
Valéria, a companheira eterna, mesmo caminhando só.
Isabela Freire, a melhor prima, com ou sem dissabores.
Pedro, o hematoma sentimental na época errada com a pessoa mal escolhida.
Anna, a sábia companhia.
Pedro, as saudades da ingenuidade roubada.
, o que partiu em vez de ficar.
Edval, o amor de um irmão, a preocupação de um pai.

São eles que o aceleram, são eles que o destroem. São eles que o possuem sem tirá-lo de mim.
É deles que eu sou, é deles que me alimento. Deles, e do tanto que me dão, nem sempre bom, nem sempre mau.

Tatiana Soares


Tatiana Soares. A idade não importa. Escrevo com o coração não com a cabeça. Sinto o que escrevo, não o que penso. Alegre ou triste é parte de mim. Escrever ajuda-me a aliviar a dor ou a compartilhar alegrias. Não escrevo bem, mas vem da alma, pelo menos, é sincero. Não uso palavras caras, mas vou direta ao assunto. Escrevo, sinto, vivo e (re)escrevo. Construo-me a cada frase, cresço a cada palavra, ergo-me a cada sílaba, faço-me forte a cada letra. Choro ao escrever, rio ao ler, dou cada passo e espero crescer. Partes de mim, partes de uma vida, a minha vida pouco bem definida.Lamentações e lamurias, queixas e protestos, insatisfações e lutas constantes. Letras soltas e divagações, escrevo da vida e das minhas ações. De mim não posso dizer muito, mas pouco também não me descreve. Sou simples sendo complexa. Sou grande sem passar de um metro e sessenta e seis de altura. Sou sensível sendo fria. Não passo de alguém comum que faz coisas comuns. Sonho mudar o ser das pessoas. Tenho um caráter impulsivo e persuasivo. Sou arrogante mesmo sendo meiga. Sou eu, sendo outra. Desde cedo, tão cedo que não posso precisar quando, dependo das pessoas. Dependo não de todos nem de qualquer um. Dependo daqueles que me são tanto, não daqueles que me são apenas. Dependo das vitórias, dependo das lágrimas derramadas pela perda. Dependo dos ritmos do coração, apesar de serem hoje mais escassos do que outrora, contendo  um amor tão mais forte. Dependo dos sorrisos sinceros. Dependo dos abraços, aqueles inesperados que te aconchegam a alma. Dependo dos beijos, aqueles profundos e intensos que te arrepiam de uma ponta à outra. Dependo dos miminhos, das palavras doces mesmo em momentos de raiva. Dependo da paciência para com o meu pobre ser. Dependo dos defeitos que me fazem crescer. Dependo do passado, mais do que o futuro, pois este pouco me dá sem dores de cabeça. Dependo pouco do presente, mas tanto de quem comigo está nele. Dependo dos amores passados. Dependo das recordações d'infância guardadas nas gavetas do coração. Dependo das fotografias amontoadas em pó de mim e dos outros. Dependo das minhas  manias, do negativismo aceso que me torna louca. Dependo das idéias absurdas que volta e meia atormentam o meu íntimo. Dependo do mar e da areia, dependo da lua cheia quando brilha mais que o sol. Dependo de boa comida, de massa, de peixes, de chocolates e semelhantes. Dependo do pôr do sol bem acompanhado. Dependo dos sons que me entram no corpo e rebentam as veias. Dependo dos passos de dança que me libertam de todo o mal contido. Dependo de uma doença que não me larga, que me há-de acompanhar mais que o meu melhor amigo. Dependo da força, que às vezes vem, não se sabe nunca quando nem se sabe nunca o porquê. Dependo das tendências psicopatas, das tendências suicidas que tentam tirar-me daqui para fora. Dependo das depressões mal curadas, das emoções nunca saradas. Dependo de mim, mesmo não percebendo como. Dependo das canções de amor que me fazem chorar que nem uma criança. Dependo do apoio que me é dado. Dependo das discussões que servem para algo, daquelas que acabam sempre bem por muito amargas que sejam. Dependo da mãe e da dindinha. Dependo da prima e da melhor amiga. Dependo daqueles que mesmo estando há pouco naquela a que teimam em chamar de vida, me são tanto mais do que eu mesma. Dependo do homem da minha vida, aquele que incessantemente procurei, e quando desisti ele apareceu. Dependo do nosso amor, dependo das amizades. Dependo da saudade, dependo da presença. Dependo de ti, de mim e de nós. Dependo da nossa vida, dependo do nosso futuro. Sou dependente, e está dito.

Estou espantada comigo mesma, espantada com o meu ser e com a minha (nova) personalidade. Eu que desde sempre fui tão melo-dramática e exageradamente choramingona, estou numa de frieza e indiferença perante a situação que nesta altura me deveria ter deixado de rastos. Era de esperar que após o fim de algo que me era tão chegado ao coração  eu estivesse deprimida e a chorar em cada esquina da casa onde moro e nem é minha. Contudo não é isto que se passa. Estou completamente indiferente à situação. E nem me questiono o porquê, porque sinceramente pouco me importa. Consegui finalmente fazer o que tantas vezes a minha melhor amiga teimou em ensinar-me: fazer do coração ponte forte, e não fraquezas. Ora, aqui estou eu, íntegra e completa, calma e muito sinceramente, contente.
Estou aqui, e depois de tudo o que seria de esperar , no meu pensamento estão apenas eles e elas, aqueles que importam, aqueles que fazem de mim forte e não fraca, aqueles que me erguem a seguir a cada batalha, aqueles que curam o meu coração com distrações, abraços e sorrisos. Aqueles que estão presentes sempre, mesmo quando não podem, aqueles que ouvem mesmo quando o assunto já cansa, aqueles que me abrem os olhos quando algo fiz mal, aqueles que me abraçam sem ser necessário motivo. No meu pensamento estão apenas estes, os que valem a pena.
Ainda me lembro do que é sentir borboletas no estômago, do que é sentir arrepios pela coluna acima e pela coluna abaixo. Ainda me lembro de como é sentir-se voar no meio de um abraço, ainda me lembro de como explode o coração com um beijo bem dado. Ainda me lembro de como anda a cabeça, tão aérea e egoísta.  Lembro-me ainda de como um dia de chuva pode parecer tão feliz e multicolor. Lembro-me ainda do que é amar. E hoje, impressionante e inexplicavelmente, ando assim. Apaixonada sem motivos, sem saber pelo quê ou  por quem, amo pura e simplesmente. Talvez esteja apenas apaixonada pelo sol que me tem iluminado os dias, talvez esteja apaixonada pelo cheiro do detergente que tem dado cor à minha roupa escura. Talvez me tenha apaixonado pela escuridão da noite que me entra pela janela. Talvez ame apenas saber que estou bem, que estou prestes a ver quem há tanto não vejo, talvez esteja feliz e pronto. Talvez, ame apenas. Talvez, pela primeira vez desde que existo, me ame a mim e ame a vida. Talvez tenha descoberto o que é viver e isso me tenha fascinado. Talvez seja isso, sim. Afinal de contas, não é preciso amar algo ou alguém, o sentimento está sempre conosco, não é assim ?! E eu amo, de boca cheia, e com coração igualmente cheio

Marcada pelas memórias do tempo, tatuada com óleo a ferver. Ligada aos mundos que tive e aos príncipes que comigo reinaram. De corpo e alma rendida aos amores do passado: a todos mas a um em especial. Rendida a ti que nem nunca chegaste a ser príncipe sequer, que nunca foste mais do que se não uma ilusão, um desejo inconcretizável, um fascínio divino inexplicável. Por ti largava tudo, sempre disse. Os motivos desconheço ainda. E sempre assim será. Algo em ti desde o início me surpreende, me abre a alma, os olhos e o coração. Uma simples palavra tua e a noite mais escura se torna dia radiante, a chuva mais pesada se torna leve algodão flutuante. Há muito tempo que tento explicar esta admiração, este sentimento que não reconheço de lado algum mas as palavras são escassas. Volta e meia dou por mim pensando em ti e sorrindo, imaginando o dia em que finalmente te abrirei a porta de casa e te olharei entrando por ali a dentro. Então, sorrio discretamente como se fosse segredo. Segredo o que sinto e por quem sinto. Sempre assim foi. Sempre fui feliz de só pensar em ti. Será sempre assim, penso eu.
No fundo os anos passam e tu continuas a ser quem mais anseio, quem mais desejo, quem mais amo.

Tentaste vezes sem conta caminhar comigo. Quiseste inúmeras vezes estar a meu lado. E eu com aquele estúpido medo, adiava inconscientemente a tua vinda. Sorria, e sorrio ainda ao relembrar, as palavras que me embalavam na noite de lua cheia, nos dias de trovoada. Lembro-me de quando, na tua doce timidez, primeiro me rejeitavas as chamadas e depois, me ligavas cantando baladas. Já se passaram primaveras e parece ter sido ontem. Lembro da suavidade das tuas palavras, das noites que em pensamento passaste comigo. Recordo tão bem a quantidade de vezes, que lendo e ouvindo as tuas palavras, aquelas belas que me aconchegavam tanto, as mesmas que me faziam fugir de medo, medo de te querer, flutuava silenciosamente, tentando ser discreta no meu pequeno mundo. No entanto, hoje não sei o que é feito desse "ti". Não sei se o perdeste, se sem que desse por ela se camuflou ou se lhe perdi o rasto. Agora que te quero, da forma que sempre desejei não querer ninguém, tu foges, ausentas-te. Agora, que realmente ganhei coragem, tu já não estás. Provavelmente já nem a tempo vou de te dizer "não desistas de mim!". Provavelmente, perdi-te.
É. São coisas.

Eu cá gostava de pessoas. Hoje fartei-me. São todas iguais, todas agem, fazem e dizem o mesmo. Talvez tenha perdido o interesse, talvez tenha finalmente entendido que não há pessoas diferentes, que não há pessoas como eu. Não sei o porquê de só agora ter conseguido enroscar tal ideia na minha cabeça, visto que há muito que as pessoas e as suas enormes complexidades deixaram de ser novidade para mim. Há muito que as conheço de apenas as olhar. Existem sempre exceções, é verdade, mas isso infelizmente não faz delas diferentes, apenas diferentes daquilo que eu pensava. Talvez fossemos todos como cães vadios. Vagueando pelas estradas da vida, raramente nos cruzando com os mesmos. As pessoas cansaram-me, destruíram-me. (Já) Não gosto de as amar. Cansa muito o coração, torna-o velho mais cedo e enfraquece-o. O amor mente, o amor trai. Foge sem que te apercebas, e feito tonta  lá vais tu procurá-lo. Seja debaixo da cama, entre as almofadas do belo sofá que tens na sala, quem sabe até mesmo no microondas. Acreditas nas tuas buscas, mas a verdade é que jamais voltará. Foi comprar tabaco e não volta. Talvez, ainda fume um cigarro em memória de ti, como forma de celebrar o alívio de te ter deixado. Ter-te deixado depois de tantas palavras cheias de nada, de beijos sujos, de abraços forçados e de noites em que tu realmente pouco ou nada importavas. E tu, pobre coitada, acreditaste em tudo, iludida(o) de que realmente fosse possível. E bem, não é, nem nunca será. O amor é uma ilusão da alma. Sim da alma, porque ela também sonha. Portanto, livra-te dela! Fará rebolar em gasóleo, deita-lhe fogo e observa a tua prisão abrindo-te as grades. Despede-te dela e dos sentimentos que sempre te arruinaram a vida. Despede-te e abre os braços à liberdade.
Agora és tu, sem nada que te faça sentir, sofrer, chorar. Nada que te torne vulnerável e instável. Nada que te torne em algo que não queres ser. Agora, és livre.
É. Um dia vai ser assim. Tu também irás arder.